A esperança, quando esgotada, se transforma em dor calejada. Foi assim para uma família que, havia meses, perdera seu cão. A ausência repentina, as buscas pelas redondezas, sem sucesso, a suspeita de que ele pudesse ter sido picado por uma cobra, e então, o fim da esperança. O tempo passou e a ferida da dor tornou-se uma cicatriz. O cão agora era apenas uma lembrança carinhosa.
Enquanto a família procurava por seu bichinho, um grupo de pessoas que caminhava por uma estrada da cidade avistou um cachorro de grande porte. Estava machucado, especialmente na orelha. O Departamento de Proteção Animal de Sertãozinho, da Secretaria de Meio Ambiente e Agricultura, foi acionado, realizou o resgate e deu início aos cuidados necessários. O cachorro foi encaminhado ao Canil Municipal, onde recebeu tratamento, abrigo, atenção e um nome: Thor.
O tempo, que não espera por reencontros, continuou passando. Enquanto isso, as secretarias municipais de Governo e de Meio Ambiente e Agricultura, por meio do Departamento de Comunicação e do próprio Departamento de Proteção Animal, iniciaram um novo episódio dessa história: a criação das redes sociais do Canil Municipal. O objetivo era dar visibilidade aos animais acolhidos, incentivar a adoção responsável e aproximar a população do trabalho realizado pelos profissionais dedicados ao resgate e tratamento de cães e gatos.
Alguns dias após o início das atividades nas redes, uma publicação despretensiosa, mas cheia de carinho, da foto de Thor, vinha acompanhada de informações sobre seu resgate e do desejo do pequeno grande herói de encontrar um novo lar. Poucas horas depois, uma mensagem mudou o rumo da história: do outro lado da tela, alguém reconheceu a imagem que o tempo não havia apagado: aquele cachorro tinha dono. Thor, na verdade, era Gibi.
A família que, durante 10 meses, acreditou ter perdido para sempre seu amigo de quatro patas reencontrou o Gibi pelas redes sociais. A desesperança deu lugar à emoção e a descrença se transformou em alegria. O reencontro aconteceu, e o que antes era ausência virou rabinho balançando, latido conhecido e felicidade genuína.
A história de Gibi, que por quase um ano viveu longe de casa, mostra que nem toda perda é definitiva. Mostra também que, quando usadas com empenho, sabedoria e propósito, as redes sociais podem ir além da informação rápida ou do entretenimento passageiro. Elas podem transformar realidades, promover reencontros e espalhar amor. Às vezes, basta um clique para devolver o que parecia estar perdido.