O Governo Municipal da Estância Turística de Sertãozinho, por meio da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, desenvolve uma rede de serviços voltada ao atendimento e à reconstrução de trajetórias de pessoas em situação de vulnerabilidade. Entre essas iniciativas está o trabalho realizado pelo Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP), que, por meio de atendimentos, abordagens e encaminhamentos, contribui para que pessoas que vivenciaram a situação de rua e o uso abusivo de álcool e outras drogas possam encontrar caminhos para retomar suas vidas.
A história de Jandilson Ribeiro dos Santos, de 36 anos, é um exemplo desse processo. Após vivenciar a situação de rua e o uso abusivo de substâncias psicoativas, ele procurou atendimento no Centro POP e foi encaminhado para acolhimento na Comunidade Terapêutica do Grupo de Recuperação de Alcoólicos Augusto Silva (GRAAUS). Durante o período de reabilitação, participou da construção de um projeto de vida e de atividades voltadas ao desenvolvimento de habilidades. Foi nesse processo que se identificou com o projeto RefloreSer e, após concluir o tratamento, passou a trabalhar no Viveiro de Mudas e Plantas Nativas do GRAAUS, atuando no cultivo e plantio de espécies nativas. A nova rotina também possibilitou a reaproximação com a família e o retorno para a casa da mãe.
Outro exemplo é o de Marco Aurélio da Silva, de 49 anos. Depois de vivenciar a situação de rua, o abandono familiar e o uso abusivo de drogas, foi encaminhado pelo Centro POP para o GRAAUS. Durante o acolhimento, identificou-se com a função de monitor e recebeu capacitação para exercer a atividade. Atualmente, trabalha como monitor na própria comunidade terapêutica, experiência que, segundo ele, contribuiu para a recuperação da autoestima, para a reaproximação familiar e para novas conquistas pessoais. Entre seus planos estão continuar se capacitando e, futuramente, construir o próprio negócio.
A trajetória de Washington Donizete dos Reis, de 45 anos, também mostra como o acolhimento e as oportunidades podem contribuir para um novo começo. Em um momento de fragilidade e sem perspectiva de vida, marcado pelo uso abusivo de drogas, ele procurou o Centro POP e foi encaminhado para o GRAAUS. Durante o processo de reabilitação, identificou-se com a função de monitor, recebeu capacitação e realizou estágio na área. Hoje, também atua como monitor na comunidade. Entre as conquistas desse período, destaca a reaproximação com o filho e a mãe dele, a recuperação da autoestima e a conquista da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Mais do que a inserção ou reinserção no mercado de trabalho, histórias como essas representam a retomada da autonomia, dos vínculos familiares, da autoestima e da possibilidade de construir novos projetos de vida. O acesso ao trabalho, aliado ao acompanhamento e ao acolhimento, contribui para que essas pessoas recuperem a independência e voltem a participar ativamente da sociedade.
Para a secretária de Assistência Social e Direitos Humanos, Tatiane Guidoni Gimenez, o atendimento à população em situação de vulnerabilidade precisa oferecer caminhos concretos para a reconstrução de suas vidas. “Nosso trabalho é acolher, orientar e, principalmente, acreditar que toda pessoa pode reconstruir sua trajetória. O Centro POP e os demais serviços da nossa rede têm justamente esse papel de oferecer apoio, encaminhamentos e oportunidades para que essas pessoas possam recuperar sua autonomia, seus vínculos e sua dignidade. Cada história de recomeço mostra que, quando existe acolhimento, oportunidade e vontade de mudar, novos caminhos podem ser construídos”, destacou.
O trabalho desenvolvido pelo Centro POP integra uma rede de proteção social que busca atender as diferentes necessidades da população em situação de rua e em condições de vulnerabilidade. A partir do acolhimento inicial, são realizados atendimentos e encaminhamentos de acordo com as necessidades de cada pessoa, incluindo o acesso a serviços e oportunidades que possam contribuir para a reconstrução de sua trajetória — como, por exemplo, a Comunidade GRAAUS, hoje sob responsabilidade técnica de Rita Márcia Rosa.
As histórias de Jandilson, Marco Aurélio e Washington demonstram que o recomeço pode assumir diferentes formas: no reencontro com a família, na conquista de um emprego, na recuperação da autoestima, na busca por qualificação ou na construção de novos sonhos. São trajetórias que reforçam a importância de uma rede pública preparada para acolher, orientar e oferecer oportunidades àqueles que mais precisam.